Blog

A Educação brasileira e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
Publicado em 08/02/2018 por Clodomiro José Bannwart Júnior é Coautor dos Livros "Responsabilidade Integral: Metodologia estratégica para o desenvolvimento pessoal, corporativo e educacional” e “A Pedagogia da Responsabilidade Integral e a BNCC”. Professor de Ética e Filosofia Política na Universidade Estadual de Londrina.

A Educação brasileira e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)

Muitos acreditam que na educação existe uma bala de prata. De forma simplificada, é como se bastasse um único disparo certeiro, uma única solução a dissipar todos os problemas que envolvem o processo educacional.

Em educação, as coisas não são tão simples como parecem. É preciso, sim, ter alvo, foco aonde se deseja chegar. Mas é fundamental a motivação que sustenta, alunos e professores, a realizarem o percurso. O combustível motivacional parece, em regra, deficitário em salas de aulas. É ausente tanto da parte daqueles que ensinam quanto daqueles que, em tese, deveriam aprender.

A exceção, no entanto, existe. Um exemplo é a Escola Estadual Dr. Milton Dortas, no Munícipio de Simão Dias, a 100 km de Aracaju. A escola pobre do interior do Sergipe tem obtido bons índices no Enem, superiores à média nacional. E o que explica os bons resultados?

Lucivaldo Nascimento é professor da Milton Dortas. Certo dia chegou a um grupo de alunos e disse que iria se inscrever no curso mais concorrido do vestibular. “Não vou só ensinar, vamos estudar juntos”. Trinta alunos toparam o desafio. Lucivaldo é hoje aluno do curso de medicina da Universidade Federal de Sergipe e conseguiu também a façanha de motivar os seus alunos para o vestibular. A escola, desde então, passou por profunda transformação e ocupa atualmente destaque no âmbito nacional pela qualidade do ensino. Cerca de 150 egressos chegaram à faculdade, algo impensável antes do desafio lançado por Lucivaldo (Folha de S. Paulo).

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tem o propósito de criar condições para que exemplos assim, como o da Escola Estadual Dr. Milton Dortas, não sejam exceções, mas a regra. Olavo Nogueira Filho, diretor de políticas educacionais do movimento Todos Pela Educação, em recente entrevista, comentou “que o grande problema da educação brasileira é que não conseguimos gerir sistemas de educação. Temos excelentes exemplos de escolas que individualmente fazem excelentes trabalhos, no entanto, geralmente são exemplos isolados” (Folha de Londrina).

À medida em que a BNCC for capaz de promover um norte para a educação brasileira, facilitará o alinhamento das políticas educacionais nos Estados e Munícipios. E nesse aspecto, a BNCC pode ser comparada a uma pedra jogada no centro de um lago. Uma vez lançada, a pedra produz o efeito propagador de pequenas ondas até alcançar todo o lago. É assim que se espera a implementação da BNCC nos próximos dois anos. Uma propagação sincronizada de políticas públicas a perpassar Ministério da Educação e secretárias estaduais e municipais de Educação.

Inteirar-se da BNCC é uma oportunidade para fazer avançar o debate educacional e, acima de tudo, de empenhar motivação coletiva na criação de um sistema de educação que, de fato, produza resultados satisfatórios não apenas no varejo, mas, principalmente, no atacado.

É nesse sentido que a RSP Integral tem o propósito de contribuir “no fortalecimento de ações que assegurem a formação continuada de professores, na busca de currículos inovadores e na criação de alternativas às demandas e aos problemas que se impõem à educação brasileira” (BANNWART JÚNIOR, et all. 2018, p. 25).

Referências Bibliográficas

BANNWART JÚNIOR, Clodomiro José, et all. A Pedagogia da Responsabilidade Integral e a BNCC. 1ª edição. Londrina/PR: Editora Toth, 2018.

SALDANA, Paulo; BERGAMO, Marlene. Escola pobre campeã do Enem atrai até aluno da rede privada. Folha de S. Paulo. B1, 31/12/2017.

GONÇALVES, Erika; NOGUEIRA FILHO, Olavo. Ensinamentos comuns, vivências diferentes. Folha de Londrina, p. 3, 14/01/2018.

Dê sua opinião!